Blog do Negão

09/01/2013

NO MEU TEMPO...

Taí uma expressão 'nada a ver'. Não que eu não a use mas, quando o faço, a expressão precede a preposição de. By the way, semana passada eu deixei minha moto na revisão e acabei enrolando pelas dependências da concessionária, conversando com o encarregado do pós-venda, e de repente rolou o assunto aviação. Foi quando falei: no meu tempo de auditor, láááá no comecinho, eu costumava rasgar o país inteiro, pela Varig. Uma beleza.

Lógico que falei de fatos ocorridos há 25, 30 anos, quando viajar de avião era um luxo para poucos. Eu mesmo só viajava porque a empresa bancava, senão o caminho passaria necessariamente pela rodoviária. Após um par de anos apareceram algumas figuras emblemáticas.  

A primeira foi Rolim Adolfo Amaro, mais conhecido como Comandante Rolim, que revolucionou o relacionamento entre a companhia aérea e seus passageiros. Era comum vê-lo em Congonhas dando pessoalmente as boas-vindas aos clientes, que pisavam sobre um tapete vermelho que era apenas um tapete, mas fazia uma diferença dos diabos na hora de escolher com qual companhia viajar. A sala de espera da TAM em Congonhas, aliás, agraciava seus passageiros com música ao vivo da melhor qualidade, acompanhada de canapés e bebidinhas. Às vezes bate certa nostalgia. Rolim, que faleceu de forma trágica e pouco esclarecida em 2001, era um visionário. Após sua morte, a gestão da empresa caiu na boa e velha vala comum, a diretoria foi infestada por aquela galera conhecida como MBA disso e daquilo, o caldo entornou e, como não poderia deixar de ser, a TAM virou uma merda.

A segunda figura, menos digna de foguetório, foi Wagner Canhedo, que conseguiu o milagre de comprar a VASP sem desembolsar um centavo, e ainda descolou um empréstimo para não pagar pela empresa junto ao BNDES ou Banco do Brasil - não tenho certeza, só sei que não foi nem Bradesco nem Itaú -, além de combustível digrátis bancado pela Petrobrás (ou seja, por nós outros, babacas). Mesmo assim, por não primar pela honradez nem pela competência, a VASP faliu de novo. Canhedo, até onde eu sei, vai muito bem, obrigado. Os ex-funcionários, nem tanto. Em julho do ano passado Canhedo foi condenado a oito anos e oito meses de prisão por apropriação indébita (descontou a contribuição previdenciária no contracheque de seus empregados e não os repassou ao INSS, uma bagatelinha de cerca de R$ 40 milhões) mas, sabe como é, no Brasil velho pode ser filho da puta mas não pode ser preso. Canhedo está com 76 anos, deixem o velhinho em paz.

Aí rolou a terceira figurinha, esta estupidamente carimbada, chamada Nenê Constantino. Nenê é acusado de ser o mandante do assassinato de oito pessoas, entre as quais dois genros seus e os líderes comunitários Márcio Leonardo de Sousa Brito e Tarcísio Gomes Ferreira. Consta que os genros continuam vivos, mas os líderes comunitários não. Também foi acusado, após a Operação Aquarela, da PF, de integrar um esquema para burlar as normas do sistema financeiro brasileiro, com a ajuda do não menos fofo e querido Joaquim Roriz. O escândalo provocou a renúncia de Roriz ao mandato no Senado, em 2007. Constantino já tinha sido indiciado como mandante das mortes. Em março de 2012, Nenê passou a cumprir prisão domiciliar. Em agosto de 2012, o Superior Tribunal de Justiça revogou a prisão, mas determinou recolhimento domiciliar noturno e em fins de semana (informações da Wikipédia). Pois bem: Nenê Constantino é fundador da GOL, empresa cujo presidente atual é seu filho.

A Gol, aliás, aderiu aos ventos de modernidade que movem o mundo e resolveu cobrar pelo serviço de bordo. A empresa se autodefine como de baixo custo (pra quem?), e justifica a atitude dizendo que isto é comum nos EUA e Europa. Às fotos:


Na foto, o anverso do cardápio, onde consta que um sanduba mequetrefe custa dez paus, na promoção.


Verso do cardápio. Café solúvel a três paus, cerveja e refri a cincão. Preço de hotel.


Da sola dos pés ao cocuruto eu tenho um metro e 76. Na foto, meu erótico joelho empurrando a poltrona da frente.

Pode ter sido impressão minha, mas naquela viagem não se vendeu nada. A propósito, de baixo custo eu duvido, mas a baixa qualidade está garantida.

Viajei de trem e avião pela Europa no ano passado. Notei que há uma preocupação das aéreas com a qualidade, justamente pela forte concorrência dos trilhos. A malha ferroviária européia é enorme e praticamente permite o deslocamento por todo o continente, ou pelo menos pela parte que vale a pena, com rapidez, conforto e segurança. Talvez nossa diferença esteja aí.

Durante o chamado "milagre", nossos gloriosos generais comandantes eram capachos do grande irmão do norte, que precisava fazer frente à OPEP e vender petróleo para as colônias. Assim, ao invés de investimentos em ferrovias, como fizeram principalmente os europeus e asiáticos, o 'Brasil Grande' dos milicos se ocupava de encher o país de estradas e, assim, justificar a aquisição de gasolina, diesel e outros derivados de petróleo, além do asfalto para o tráfego de carros (americanos) e caminhões. Só não asfaltaram a Transamazônica porque a chuva diária não permitiu. É bom que se diga que o ex-presidente Juscelino Bossa Nova teve participação muito importante nesse processo que elegeu o "rodoviarismo" como principal modal no transporte de cargas, iniciado por Washington Luiz. Os milicos só continuaram a cagada.

A VARIG também quebrou devido a gestão temerária, e seus ex-empregados estão hoje, sem exceção, em situação de petição de miséria. A tal Fundação Rubem Berta conseguiu falir até a AERUS, um dos maiores fundos de pensão privados da época, e quem tinha direito à complementação dos proventos de aposentadoria ou pensão está no aguardo de decisões judiciais que se arrastam há décadas.

O que nos sobrou? Gol e TAM. Existem outras opções, como Passaredo, Trip e Azul, por enquanto quase nulidades que, se chegarem a crescer a ponto de incomodar as duas grandes, ocorrerá o mesmo que sucedeu à Webjet, que foi comprada pela Gol e pouquíssimo tempo depois foi desativada, seus empregados foram demitidos, os clientes sacaneados e as rotas incorporadas à empresa do Constantino Jr. Tudo sob as barbas do CADE, que estranho não ter sido convidado a dar explicações à sociedade. 

Está na moda culpar o PT (ou petralhas, como diz principalmente a direita paulista, que nunca engoliu o fato de um operário ser eleito presidente) até pela morte da Odete Roitman. Sugiro uma pesquisa sobre a época, as circunstâncias e, principalmente, os atores mãos-leves que levaram à quebra da Varig, da VASP e respectivos fundos de pensão. Não que eu morra de amores pelo PT, que para mim é uma decepção em forma de partido político, mas não dá para concordar com esses calhordas que desde sempre estiveram por trás de figuras como Maluf, Quércia e outras debilidades morais personificadas e bem nascidas da política brasileira. De quebra, seria interessante procurar entender por que não temos uma malha ferroviária que nos permita o escoamento da produção agrícola e o transporte de passageiros como há em outros países.   


Escrito por Rogério Veloso às 19h36
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