Blog do Negão

14/12/2012

BILLY, THE GUY

Hoje aniversaria meu amigo Billy Saga, um guerreiro do bem que, quando necessário, também sabe fazer cara de mau. Eu já o conhecia há mais tempo, mas só pude encontrá-lo pessoalmente há três anos em São Paulo, durante a Passeata da Superação de 2009. O carinha é presidente da ONG Movimento Superação SP, entidade criada em 2003 inspirada na percepção de um grupo então pequeno de pessoas, de que algo de articulado tinha que ser feito para que houvesse respeito às diferenças existentes entre as pessoas.

As diferenças a que me refiro não são sutis. São aquelas decorrentes de deficiências físicas, mentais ou sensoriais, que vararam os séculos determinando a segregação das pessoas pelo simples fato de destoarem do que era considerado padrão, por não conseguirem se locomover sem a ajuda de aparelhos ou expressar seus sentimentos de forma inteligível.

Em um programa da TV Cultura, Billy conta que acordou paraplégico após um acidente de moto. Na verdade ele estava parado no sinal e foi atropelado por uma viatura da polícia, mas vale a versão oficial de acidente. O fato é que, já na chegada de volta pra casa, ele deparou com uma escadaria e aí caiu a ficha. Viu que algo precisava ser feito, e brinca dizendo que foi picado pela mosca da utopia, ao avaliar que bastava uma única manifestação pública para que as barreiras fossem destruídas. Santa ingenuidade, Batman!

  
Na foto, Billy e eu, pouco antes de sairmos pela Avenida Paulista em passeata dia 02/12/2012


Na foto, Billy ao lado da figura ilustre de Adelino Ozores, advogado e Vice-presidente da Associação Filarmônica Santo Amaro

Por incrível que possa parecer, as barreiras arquitetônicas são, de longe, o menor dos problemas. Ainda persiste em nossa sociedade uma mentalidade com cheiro de mofo, que coloca as pessoas com deficiência como coitadinhos improdutivos, que devem permanecer em casa por serem doentinhos. A própria Previdência Social fomenta a babaquice, ao adotar o termo "invalidez" para um tipo de aposentadoria. Então, é necessário todo um trabalho de conscientização da sociedade, no sentido de convencer as pessoas a cuidarem de suas calçadas, os comerciantes a fazerem obras de adaptação que permitam que um consumidor montado numa cadeira consiga entrar em sua loja e, se for um bar ou restaurante, que tenha o direito de fazer seu xixizinho num banheiro adaptado. Esses mesmos empresários precisam acordar para a vida e observar que a deficiência não impede ninguém de trabalhar e ser produtivo. Eu tenho bons amigos deficientes, um é gerente de banco, outra é médica, tem também advogados, jornalistas, funcionários públicos, bancários. Todos trabalhando normalmente, nunca se pediu esmola mas oportunidade, igualdade. A pior barreira é, portanto, a do preconceito.

A passeata é sempre um espetáculo à parte, ocasião em que o Billy se municia de um microfone e, com seu talento natural para o discurso e a articulação, deixa aos transeuntes que não estão entendendo nada ante quantidade tão absurda de estropiados (como diria meu outro brother Jairo Marques), nosso recado no sentido de que é necessário o engajamento de todos para que haja igualdade de tratamento, onde já há igualdade de obrigações. Todos ali pagam, direta ou indiretamente, os abusivos impostos brasileiros. Não é justo, portanto, que sejam tratados como cidadãos de segunda categoria.

E essa farra toda é regada a muita música, vinda de um caminhão de som que nada fica a dever a um trio elétrico baiano. Em determinado momento Billy pega o elevador, assume seu posto e deixa fluir seu lado rapper. As letras são fortes, determinadas, diretas e, ao mesmo tempo, soam doces pelo caráter absolutamente pacífico da manifestação. Ponto para a prefeitura ou órgão correlato, que garantiu nossa segurança durante todo o evento, não só disponibilizando um batalhão de policiais de campo mas também de motociclistas, que garantiram que ninguém iria invadir nossa praia na Avenida Paulista.

E por falar em rap, saca esse aí:

Cadeirante-bomba é ótimo, né? Billy se esmera em construir boas letras e gosto particularmente de "As mesmas coisas", cujo link é esse aí, ó: http://vimeo.com/billysaga/asmesmascoisas.

Pois é, meu caro, esse discurso todo foi pra dizer que sou seu fã, admiro sua força, sua disposição à luta e confesso que às vezes me divirto com sua capacidade de incomodar a 'galera errada no lugar errado'. Ah, e também para lhe desejar, quase ao final do dia, um feliz aniversário. Mando daqui, via satélite, um daqueles nossos abraços fraternos e lhe desejo sempre muita saúde, porque sei que a luta é punk.


Escrito por Rogério Veloso às 22h34
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