Blog do Negão

28/05/2009

DO YOU SPEAK ISSO?

Em 1996, de volta do almoço, eu caminhava por uma bela e arborizada avenida da não menos bela e arborizada Goiânia (superlativamente biba este preâmbulo), quando topei com um ex-professor. O cara me viu e deu um sorriso, coisa que nunca tinha feito em sala, e foi logo disparando: "a Universidade está para receber dentro de 10 ou 15 dias uma leva de estudantes espanhóis, você não quer hospedar um em sua casa?" O problema era o alojamento estudantil, que estava em obras e não havia nenhuma condição de oferecer o mínimo conforto à estudantada. Na época eu ainda estava sob antiga direção, consultei as bases em casa e topamos. No contato com a responsável pelo departamento de intercâmbio da UFG disse que tinha que ser uma moça, para dividir o quarto com minha filha, e de preferência estudante de música. Assim, vivi a inesquecível experiência de conviver por dois meses com Lola, exímia pianista que não gostava de seu nome de batismo Maria Dolores (mi nombre remete al sofrimiento). Ao todo vieram 151 espanhóis para o Brasil, 17 dos quais para Goiânia, e fiz amizade com a maioria. Eta povo festeiro!
Desde o primeiro dia combinei com Lola de ensiná-la o português, e em troca ela me ensinaria o espanhol. Saímos os dois fluentes num portunhol invejável, fruto de bate-papos noturnos que frequentemente varavam a madrugada. Vez por outra juntava a espanholada e saíamos para dançar, beber, comer ou todas as anteriores. Numa dessas, convidei uns sete ou oito com quem tinha mais afinidade para jantar em casa. Para dar um clima resolvi comprar algumas garrafas de vinho, e escolhi o chileno Concha y Toro. Conversa vai, conversa vem, eis que aterrisso uma garrafa na mesa e a espanholada caiu numa gargalhada que me deixou tonto antes de beber. Olhei para Lola e ela me socorreu: concha, na Espanha, é um apelido prá lá de chulo para a genitália feminina. E eu crente que estava abafando. Argumentei que, em se tratando de países com o mesmo idioma, achava estranho uma palavra causar constrangimento na Espanha e ser impressa num rótulo de vinho no Chile. Antes que eu me refizesse do mico, veio galopando a vingança. Mónica olhou para mim e perguntou: tienes pica? Por supuesto, respondi, e aí foi minha vez de zoar com a galera. Ela só queria um pouco de pimenta, mas depois que expliquei o que aquela palavra significava em português foi outro festival de gargalhadas numa noite memorável. Cláudia, neta de portugueses, me lembrou que, a exemplo do que ocorre entre os países de língua espanhola, também há diferenças enormes entre o alemão falado na Alemanha e na Áustria, o francês da França e da Bélgica e em grande medida o idioma falado aqui e o de Portugal.
Chegou o dia fatídico e meus amigos foram embora, muitos deles aos prantos. Ainda hoje me correspondo com Lola e vez por outra trocamos e-mails.
Falando em língua portuguesa, há algumas semanas li em uma revista um artigo interessante abordando essas diferenças existentes entre o Brasil e Portugal. Separei alguns exemplos:

Portanto, se você ouvir um português dizendo que tem um puto e uma rapariga, não se assuste, ele apenas tem um casal de filhos. 


Escrito por Rogério Veloso às 23h30
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27/05/2009

O BONITÃO II

Como o Jairo tem todo o direito de mandar prender e mandar soltar, e atendendo a sua solicitação no comment do post (comment do post? Vixe!) anterior, mostro abaixo a gravura do Vivaldi, que vai virar quadro. Infelizmente a outra gravura, que mostra um manuscrito de Beethoven, não tem a resolução mínima necessária para uma impressão de qualidade. Vou procurar outra por aí.

 A aparência de quadro velho é proposital, e dá um efeito deveras muy porreta.
Agora, nobre Comandante do Império dos Malacabados, aguardo sua douta e nunca censurável opinião.


Escrito por Rogério Veloso às 17h17
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26/05/2009

O BONITÃO

Quando compramos o apartamento novo, Eliana teve a idéia de transformar o quarto de empregada em meu cantinho musical. Aprovei rapidinho antes que ela mudasse de idéia, foi fechado o vão da porta de acesso à área de serviço e colocada porta de correr no lado oposto, bolamos uma decoração que tivesse tudo a ver com o ambiente, mas acabou que a idéia de revestir o assento do misto de sofá e gaveteiro com motivos musicais e a colocação de quadros foi ficando pra depois, e esse depois persiste. Ainda assim ficou bonito, com meus instrumentos todos lá.
Esta semana resolvi providenciar os quadros, e uma alternativa considerada foi imprimir um banner para depois enquadrá-lo. Estive hoje na empresa de meu amigo Ricardo, que trabalha com esse tipo de coisa, e achamos no Google uma gravura legalpracacete.com.br com a figura do Vivaldi e outra com a reprodução do que seria uma partitura manuscrita de Beethoven, salvei as danadas na pendrive e é bem provável que serão as escolhidas, falta definir o tamanho. Ao ver tanta gravura, Ricardo me perguntou: por que os pianistas estão sempre de costas nos desenhos, se hoje nas orquestras piano e pianista ficam de lado? Boa pergunta, e a resposta vem do século XIX. Reza a lenda que até meados de 1830 o piano era de fato posicionado de costas para o público. Sei lá quem inventou isso, mas era a tradição. Até que chegou um pianista húngaro radicado em Paris, narcisista e bonitão, que achou que ficar de costas para a platéia iria não só alijá-la de contemplar sua beleza, como também dificultaria seu hábito de azarar as damas da corte para um futuro e bem provável vem-cá-meu-bem para após sua apresentação, porque o cara era um pegador de catiguria. A partir de então o piano teria sido reposicionado. O nome da fera: Franz Lizst, dono de vasta e revolucionária obra para piano e orquestra e considerado um destruidor de teclas e alguns tímpanos mais sensíveis, porque suas músicas exigem uma execução vigorosa (forte-fortíssimo). Estudantes iniciantes de piano odeiam o cara, com justa razão, porque não é qualquer um que consegue tocar suas músicas, todas muito complexas. Ele teve, porém, seus momentos de, digamos, contemplação, e sugiro ouvir Consolação No. 2, de preferência com alguém muito querido de um lado e uma boa garrafa de vinho do outro.
Caraca, comecei falando de decoração de apartamento e acabei discorrendo sobre Lizst. Deve estar na hora de ir dormir.


Escrito por Rogério Veloso às 00h58
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25/05/2009

CONTRASTES EM PRETO E BRANCO

UM EX-FAXINEIRO NEGRO VENCE PRECONCEITO E QUER

“LIMPAR” A IMAGEM DO STF

O "bate-boca" entre o presidente do STF, Gilmar Mendes (dono de uma biografia repleta de denúncias de corrupção) e o ministro Joaquim Barbosa (dono de uma biografia invejável) traz a necessidade de esclarecer quem é quem no Judiciário brasileiro.
Um ex-torneiro mecânico pernambucano indicou um ex-faxineiro mineiro para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula escolheu o doutor da Universidade da Sorbonne e procurador do Ministério Público Federal, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O jovem negro que cuidava da limpeza do Tribunal Regional Eleitoral de Brasília está prestes a chegar ao topo da carreira da Justiça após quatro décadas de vitórias contra desigualdades sociais e raciais.
A primeira foi em Paracatu, interior de Minas, onde nasceu numa família de sete irmãos, com a mãe dona-de-casa e o pai pedreiro e, mais tarde, dono de uma olaria. Lá, percebeu que só o estudo poderia mudar a sua história. Já aos 10 anos dividia o tempo entre o trabalho na microempresa da família e a escola. O saber era quase uma obsessão.
- Uma das piores lembranças da minha infância foi o ano em que fiquei longe da escola porque a diretora baixou uma norma cobrando mensalidade. No ano seguinte, a exigência caiu e voltei à sala de aula. Estudar era a minha vida e conhecer o mundo o meu sonho. Adorava aprender outras línguas – contou Joaquim Barbosa numa entrevista em agosto de 2002 para o projeto de um vídeo sobre a mobilidade social dos negros no Brasil.
O domínio de línguas estrangeiras foi a engrenagem para mobilidade social de Joaquim Barbosa. Aos 16 anos, deixou a família e a infância em Minas e foi atrás de emprego e educação em Brasília. Dividia o tempo entre os bancos escolares e a faxina no TRE do Distrito Federal. Um dia, o mineiro, na certeza da solidão, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE. Naquele momento, um diretor do tribunal entrou e achou curioso uma pessoa da faxina ter fluência em outro idioma. A estranheza se transformou em admiração e, na prática, abriu caminho para outras funções. Primeiro como contínuo e, mais tarde, como compositor de máquina off set da gráfica do Correio Brasiliense. A conquista não sairia barato.
- Lembro de uma chefe que me humilhava na frente dos companheiros de trabalho e questionava minha capacidade. No início, foi difícil, mas acabei me estabilizando no emprego e mostrando o quanto era profissional.
A renda aumentou, mas ainda era pouca para ele e a família lá em Minas. Foi trabalhar também no Jornal de Brasília acumulando dois empregos e jornada de 12 horas. Mais tarde, trocou os dois por um. Foi para Gráfica do Senado trabalhar das 23h às 6h da manhã. Depois do trabalho, a Universidade de Brasília. O único aluno negro do curso de direito da UnB tinha que brigar contra o sono e a intolerância.
- Havia um professor que, ao me ver cochilando, me tirava da sala.
Joaquim Barbosa continuava sonhando acordado. Prestou prova para oficial da chancelaria do Itamaraty e passou. Trocou o bem remunerado emprego do Senado por um, que pagava bem menos. Mas o novo trabalho tinha uma vantagem incalculável: poder viajar para a Europa. Durante seis meses, conheceu países como Finlândia e Inglaterra. De volta ao Brasil, prestou concurso para carreira diplomática. Foi aprovado em todas as etapas e ficou na entrevista: a única na qual a cor de sua pele era identificada.
Após esse episódio, a consciência racial de Joaquim Barbosa, que começou a ser desenhada na adolescência, ganhou contornos mais fortes. Ganhou novas cores, quando, já como jurista do Serpro, conheceu o país, especialmente o Nordeste e, em particular, Salvador. Bahia foi uma paixão a primeira vista do mineiro. Foi lá onde Joaquim Barbosa teve um contato maior com o que ele chama de "Negritude".
A percepção de ser minoria entre as elites ficou ainda mais nítida fora do país. O jurista explica que o sentimento de isolamento e solidão é muito forte num "ambiente branco" da Europa. Ser uma exceção aqui e no além mar ficou ainda mais forte após o doutorado na Universidade de Sorbonne. Nessa época já acumulava títulos pouco comuns para maioria das pessoas com a mesma cor de pele: Procurador do Ministério Público e professor universitário. Antes, já tinha passado pela assessoria jurídica do Ministério da Saúde.
O exercício de vencer barreira, de alguma forma, está em sua tese de doutorado, publicada em francês. O doutor explica que o seu objeto de estudo foi o direito público em diferentes países, como os EUA e a França.
- A minha  intenção foi ultrapassar limites geográficos, políticos e culturais. Quero um conhecimento que vá além da fronteiras dos países – disse.

"Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite", reagiu Barbosa.

 Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o professor da Faculdade de Direito da USP, Dalmo Dallari, professor catedrático da UNESCO na cadeira Educação para a paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, declarou:

Se essa indicação (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país. 

O empresário Gilmar Mendes carrega em sua biografia a denúncia de que foi favorecido com “incentivo” do poder executivo para fundar, em 1998, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma escola privada que oferece cursos de graduação e pós-graduação em Brasília. Desde 2003, conforme consta das informações do "Portal da Transparência" da Controladoria Geral da União, esse Instituto faturou cerca de R$ 1,6 milhão em convênios com a União. De seus nove colegas no STF, seis são professores desse Instituto, além de outras figuras importantes nos poderes executivo e judiciário (não é à toa que ele contou com tanta “solidariedade” no episódio que envolveu a discussão com o ministro Joaquim Barbosa). O Instituto se localiza em terreno adquirido com 80% de desconto no seu valor graças a um programa do Distrito Federal de incentivo ao desenvolvimento do setor produtivo. O subsecretário do programa, Endels Rego, não sabe explicar como o IDP foi enquadrado no programa. O belíssimo prédio do Instituto foi erguido graças a um empréstimo conseguido junto ao Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), gerido pelo Banco do Brasil, cuja prioridade de investimento é o meio rural. Entre os seus maiores clientes estão a União, o STJ e o Congresso Nacional.

Este artigo é atribuído ao Dr. Eduardo Diatahy B. de Menezes, Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará e Professor Titular do Doutorado e Mestrado em Sociologia - UFC. Digo que é atribuído porque circula na rede tanta coisa cuja autoria depois é desmentida, que é difícil saber ao certo quem pariu o que. De qualquer forma, caso o Professor negue a autoria, faz de conta que eu pensei e outro escreveu.
Para dar uma animada no pagode, lá vai a trilha sonora:

 

A composição é de autoria de Jorge Antunes, e só postei porque sou muito curioso e gostaria que alguma boa alma me explicasse a quem é dirigida a parte que diz "sai, cachorro, larga o osso; vai mandar em seus capangas em Mato Grosso".
A música não é nenhum concerto em ré maior (de fato é em ré maior, mas está mais para estrago). Lak, achou que eu iria me esquecer de você? Nananina, taí a legenda:

AU, AU, AU, NO TRIBUNAL
Música e letra: JORGE ANTUNES
Intérpretes: Jorge e Mariuga

Au, au, au: eu ouvi no Tribunal.
Au, au, au: eu ouvi gilmar de lamas.
Latia sem vergonha e sem moral,
protegendo um banqueiro e suas tramas.
Sai, cachorro! larga o osso,
vai mandar em seus capangas em Mato Grosso.
 


Escrito por Rogério Veloso às 21h46
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17/05/2009

UM DIA FELIZ E OUTRO NEM TANTO

No dia 16 de maio de 2003 veio ao mundo meu primeiro filho biológico, Lucas. Muito esperado e desejado, vem crescendo saudável e inteligente, e um dos primeiros presentes que me deu, dentre tantas coisas boas que tem me proporcionado, foi me permitir responder a uma pergunta que nunca me fiz mas que as pessoas insistiam em me aporrinhar: há diferença entre filho adotivo e biológico? Antes do Lucas o máximo que eu conseguia responder era "seeei lá!". Hoje sei que não há diferença alguma, a não ser o fato de nunca ter presenciado minhas filhas mamando no peito.
As duas últimas semanas foram uma doideira só, com os preparativos para a festa do sexto aniversário do meu moleque. Convidamos poucos adultos, porque o que interessava mesmo eram os amiguinhos, os primos, os balões, o bolo e o pula-pula, e foi delicioso ver a alegria do carinha com a farra em sua homenagem.


Eu, Luquinha e a irmã Carol


Achei muito legal o olhar fixo da molecada no bolo

Como havia quase dois meses o Iraque vinha sendo alvo de bombardeios comandados por aquele protozoário que comandava os EUA, mesmo antes de Lucas nascer eu tinha uma preocupação muito grande com o mundo que ele iria encontrar, e principalmente como seria a vida para ele no futuro. Quando estava com cerca de três meses flagrei-me sentado ao lado de seu berço, adorando a cria que naquele momento dormia. De repente me vieram aqueles tais 10% de inspiração e corri ao violão. Dessa paixão louca por aquela criaturinha que começava a vida e da preocupação que eu tinha com seu futuro nasceu Rebento, música que compus para o filhote:

 

************************************************************

Geralmente acordo dia 17 de maio meio azedo, sem tesão, e acho estranho que faça tanto esforço em tentar esconder isso das pessoas. Por uma ironia que nem tento entender, o dia seguinte ao do nascimento de meu filho é aniversário do falecimento de minha filha Ana Paula, ocorrido em 1994, dois meses antes de completar sete anos.



Hoje lido com isso muito melhor do que há poucos anos, mas é sempre uma data que me deixa assim com a bandeira a meio pau e uma sensação de preguiça. Minha filha e eu passamos poucas e boas, enfrentamos sempre juntos clínicas, crises, preconceito, e tivemos também nossos momentos felizes, de conquistas, brincadeiras, passeios e chamego. Era minha companheirona, e falei um pouco dela no post SUPERAÇÃO, de 16/02/2009. Daquele misto de saudade dolorida, inconformismo, raiva, amor, apego e mania de compor, surgiu O DESPERTAR DE ANA PAULA, que demorou quase um ano para ficar pronta:

A composição foi um exercício de paciência, porque inúmeras vezes eu empacava num trecho e não conseguia desenvolver. Acordava de madrugada após sonhar com a continuação e corria para o piano, nunca me preocupando se a vizinhança estava apreciando aqueles concertos fora de hora. Era uma necessidade que sentia, e era inadiável.
Quando finalizei me dei conta de que o objetivo tinha sido atingido, porque sentia em cada nota a presença daquele anjinho que de repente voou para o céu.


Escrito por Rogério Veloso às 20h25
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14/05/2009

ENTÃO TÁ

09/05/2009 - 10h37

Febraban paga encontro de juízes em resort na Bahia

CLAUDIA ROLLI
da Folha de S.Paulo
SILVIO NAVARRO
do Painel

 

Como a reportagem é bem extensa, resolvi extrair alguns pontos que considerei principais:

 
"
Um grupo formado por 42 juízes do trabalho e ministros do TST (Tribunal Superior do Trabalho) teve passagens, hospedagem e refeições pagas pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para participar de um congresso promovido pela entidade em um resort cinco estrelas na Praia do Forte (BA), durante o feriado prolongado de 21 de abril.
(...)
É o 16º ano que o evento é realizado no país, com o objetivo de discutir temas relacionados a questões trabalhistas, segundo a federação dos bancos.
(...)
A maior parte dos dez ministros do TST que estiveram no congresso, dos presidentes ou representantes de TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho) de várias regiões do país, entre eles o de São Paulo, e dos juízes que participaram do evento foram acompanhados por suas mulheres ou maridos, a exemplo de anos anteriores.
A diária de um apartamento standard para um casal no Tivoli Ecoresort Praia do Forte, onde ocorreu o evento deste ano, custa R$ 798, disseram funcionários do hotel. Cerca de 200 dos 293 apartamentos do hotel foram reservados para o "16º Ciclo de Estudos de Direito do Trabalho" da Febraban. Nesse caso, a diária pode ser reduzida para cerca de R$ 600, segundo a Folha apurou.
(...)
O evento não é aberto ao público e envolveu outras 62 pessoas, entre advogados, professores e juristas, além dos 42 magistrados. Com os acompanhantes, o número total de pessoas no evento foi de 170.
Juízes que já estiveram no congresso em anos anteriores relataram à Folha que os debates são feitos na parte da manhã e que as tardes são livres.À Folha o TST disse que a decisão de participar do evento depende de cada juiz.
(...)
O TRT-SP afirmou, também por meio de sua assessoria, que a participação de magistrados em congressos e ciclos de estudos é necessária "para o melhor desempenho da atividade jurisdicional" e que não houve discussões sobre processos ou mesmo sobre empresas e temas que pudessem suscitar comprometimento à independência dos juízes". Cinco representantes de São Paulo participaram do encontro.
(...)
O setor bancário é considerado um dos campeões de reclamações trabalhistas no país, segundo ranking feito durante anos pelo próprio TST." 

Diante da informação de que "não houve discussões sobre processos ..." fiquei bem mais tranquilo. Afinal de contas, como se sabe, é nos congressos que as discussões específicas e decisões sobre processos são prolatadas. O patrocínio de uma agremiação que congrega um dos campeões de reclamações trabalhistas no País para o tal congresso não passa de mero detalhe, que em nada influencia nos acórdãos e sentenças.

Bocas de Matildes me disseram que os próximos congressos a serem realizados pelos deuses togados do olimpo debaterão, pela ordem:

- A viabilidade da concessão de progressão de pena, liberdade condicional e descriminalização de determinadas práticas envolvendo tráfico de drogas e armas e respectivas ramificações criminosas, como sequestros e assassinatos. Patrocínio: Fernandinho Beira-Mar et caterva.

- A possibilidade de caracterização como atos corriqueiros e já de longa data inseridos na realidade fática tupiniquim, das práticas de corrupção ativa, evasão de divisas e sonegação fiscal. Patrocínio: Daniel Dantas.

- A adoção automática da prática de perdão para as situações comprovadas de trabalho escravo em fazendas de propriedade de pessoas influentes e formadoras de opinião. Patrocínio: Deputado Inocêncio de Oliveira.

Sei não, mas desconfio que o Ministro Joaquim Barbosa pegou leve ao afirmar que seu colega Gilmar Mendes está destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro. Pelo andar da carruagem nesse balaio tem gato saindo pelo ladrão.
Mas não tem nada, não.  A exemplo do ilustre deputado
gaúcho Sérgio Moraes, eles estão mesmo é se lixando para a opinião pública.


Escrito por Rogério Veloso às 23h15
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12/05/2009

OXI O QUE?

Eu tenho algumas grandes paixões, e uma delas se chama língua portuguesa. Vira e mexe aparece algum iluminado querendo fazer uma reforma (geralmente fica igual à que foi feita aqui em casa), mas o idioma continua rico e bonito. Em seu blog meu amigo Jairo um dia, contando sobre a infância, disse que sua família era pobre-pobre-pobre de marré-marré, o terceiro marré eles comeram. Ri muito daquilo, principalmente porque me vi ali. Minha infância também não foi de causar inveja ao Donald Trump e, como eu sempre gostei muito de ler, torcia para acabar logo o sabão em pó porque naquela época o Omo (pois é, o Omo é velho pra caraca) trazia colado à caixa, como brinde, um livreto contendo uma daquelas fábulas infantis consagradas. A cartilha Caminho Suave eu já conhecia de trás pra frente.
Na faculdade de Letras eu talvez fosse o único aluno que fazia questão de assistir às aulas de latim. Sempre me fascinou a origem das palavras, e ali era o canal. Todo dia tinha uma descoberta nova e às vezes eu ficava alugando o professor após a aula até o momento em que ele tinha que sair correndo porque tinha compromisso na igreja (ele era padre).
Pois bem, esta semana fui apresentado a uma palavra nova: OXÍMORO. Não, não se trata daquele bichinho enjoado que causa uma coceirinha, digamos, localizada. Também não existem paroxímoro nem proparoxímoro. Trata-se na realidade, segundo o Houaiss, de uma figura de retórica, na qual se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente mas que, no contexto, reforçam uma expressão. Exemplos existem aos quilos: o grito do silêncio, silêncio ensurdecedor, obscura claridade, contentamento descontente, ilustre desconhecido, divórcio amigável,  humildade argentina,  televisão educativa no Brasil e por aí afora.
Até Camões entrou na dança e abusou do oxímoro:

"Amor é fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

Algumas vozes mais maldosas dizem que o exemplo mais contundente, pronto e acabado de oxímoro no Brasil é CONSELHO DE ÉTICA DO SENADO.  Particularmente acho isso uma grande injustiça, já que a Câmara dos Deputados também possui algo do gênero.


Escrito por Rogério Veloso às 23h34
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09/05/2009

MAIS UMA DO BROU

Acho que sem as coincidências a vida seria meio que sem graça. Esta semana estava com minha Eliana no carro, e o CD tocava a música Uninvited, magistralmente gravada pela canadense Alanis Morissette. Em determinado ponto a música ganha um crescendo, e nesse momento entram violinos nervosos em três vozes (quatro, se considerarmos que pelo menos um trio tocava uma oitava acima), dando o sempre luxuoso toque de classe. Comentei com ela: vou procurar no Youtube esse vídeo, porque deve ter pelo menos 15 violinos nesse pagode. Chegando em casa, lá fui eu fuçar no iuiuitubiu, achei o vídeo e, como diria o Neruda, confesso que me emputeci. O palco estava às escuras, e a única iluminação era focada na cantora. A orquestra lá atrás, como sempre tratada como mera coadjuvante.
Acabo de receber um e-mail do Brou, que já se tornou um de meus maiores fornecedores de matéria prima, atrás somente do Congresso, Gilmar Dantas e hepatite, tratando basicamente do mesmo assunto:

REFLEXÃO SOBRE A PERCEPÇÃO DE VALOR INTRÍNSECO

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo
, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço,
indiferentes ao som do violino.


A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?
Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro.
Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.
Mostra-nos, ainda, que a maioria das pessoas só valorizam aquilo que está precificado.
 
Até concordo com as conclusões do jornal, mas faltou dizer que os músicos, essa classe que rala adoidado, estuda e pratica todos os dias e não raro é vítima de DORT/LER, simplesmente não é valorizada. Felizmente não preciso disso para viver, para mim é apenas uma deliciosa terapia misturada com diversão, mas tenho amigos músicos profissionais e sei das dificuldades que eles enfrentam. Num casamento, por exemplo, a negada gasta os tubos com igreja, salão de festas, buffet, decoração, mestre de cerimônias, mas na hora de contratar os músicos é um tal de achar caro e pechinchar que dá vontade de tocar a marcha fúnebre na entrada da noiva, só de sacanagem. Quer fazer um teste? Pegue um Itzhak Perlman da vida para acompanhar o Fábio Jr. e depois me diga quem foi aplaudido.
Outra verdade que ficou nas entrelinhas: não basta ser um virtuoso, tem que dar sorte na vida, e isso é um fenômeno mundial. Como agravante, principalmente na música popular, o destaque fica todo para quem está segurando o microfone, mesmo que seja a Kelly Key.


Escrito por Rogério Veloso às 01h08
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08/05/2009

Gripe Suina, Governos Equinos

01/05/2009 - 13:53

 

A gripe dos porcos e a mentira dos homens

 

 

 Mauro Santayana

Publicado no Jornal do Brasil

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

Mauro Santayana é jornalista


Escrito por Rogério Veloso às 16h21
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06/05/2009

ONDE É QUE EU ASSINO?


Alguém aí pode me informar quem é esse cidadão, que teve a coragem de dizer com todas as letras o que pelo menos sete ou oito brasileiros pensam?

 


Escrito por Rogério Veloso às 22h05
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05/05/2009

Tô Na Área

Há alguns anos, durante um treinamento promovido por minha empresa, a palestrante virou-se para mim e, sem mais nem menos, disparou: "Você precisa mudar!" Na hora fiquei meio sem chão, mas em seguida lembrei-me dos quilos de asneiras que ela já havia falado e deduzi que aquilo fazia parte daquele rol premoldado de verdades absolutas e inúteis, que só servem para dar a impressão ao contratante de que os honorários pagos tinham valido cada centavo. Provavelmente ela era discípula de Lair Ribeiro e Luiz Marins, mestres na arte de dizer meias verdades ou mentiras inteiras, confiando no despreparo ou ignorância da platéia. Respirei fundo, discorri sobre minhas virtudes e defeitos (ela tentou me interromper, mas foi devidamente enquadrada, ao ser lembrada que poucos minutos atrás tinha dito que não era à toa que dispúnhamos de duas orelhas e uma única boca) e, para arrematar, eu disse a ela que era muito feliz daquele jeito, com um índice de autoaceitação muito acima da média e que gostaria muito de ser seu aluno de prestidigitação, uma vez que ela nunca tinha me visto mais preto e já sabia que eu precisava mudar. A pobre não estava preparada para ser confrontada daquela forma, e perdeu o rebolado. Para não ficar no nocaute técnico e mandá-la logo para a enfermaria, disparei um torpedo final: caso não consiga me convencer, mudo não.
Por já ter levado muita porrada na vida e sofrido grandes e irremediáveis perdas, acho que aprendi a não dar dimensões imerecidas aos problemas que querendo ou não tenho que enfrentar diariamente. Muitas dessas guerras eu enfrentei e venci, e estou em meio a outra agora, aquela que já ficou até chato ficar repisando (e reprisando), chamada hepatite C, m
as é minha vida que está em risco e não tenho motivos para sentir vergonha de carregar um vírus que não convidei. Deve ser por isso que eu sempre torcia pelo jacaré nos filmes do Tarzan, afinal de contas o marido da Chita era o invasor. Então, não tenho nenhum problema em falar sobre o assunto até com gente desconhecida. Este sou eu, e por algum motivo não me permito vestir a fantasia de coitadinho, não quero mudar e um de meus esportes preferidos é fazer piada com meus perrengues. Recentemente minha família quase toda foi vítima daquele surto de gripe braba que botou muita gente de cama, e eu passei invicto. Justo eu, que estou com o sistema imunológico clamando desesperadamente por uma injeção emergencial de capital de giro. Comentei em família que o vírus da gripe é meio folgadão, olhou para mim, viu que eu já estava lotado e foi bater em outra freguesia. Se pode ir sentado, pra que iria chacoalhar agarrado nos canos? Notei alguns olhares de reprovação, mas que fazer se até humor negro na dose certa pode ser engraçado?
O fato é que levo na valsa, e prefiro assim. Parece que Bobby McFerrin tem opinião parecida:
 


Alguém aí notou que não há um único instrumento musical no acompanhamento,
somente voz humana?

 Para quem não é versado nos ingrêis, lá vai a tradução:

"Aqui está uma musiquinha que eu escrevi
Talvez você queira cantar nota por nota
Não se preocupe, seja feliz
Em toda vida, temos problemas
Mas quando você se preocupa, você os torna dobrados
Não se preocupe, seja feliz
Não se preocupe, seja feliz agora

Não tem nenhum lugar pra encostar sua cabeça
Alguém veio e levou sua cama
Não se preocupe, seja feliz
O senhorio te diz que o aluguel está atrasado
Talvez ele tenha que te despejar
(ha-ha ha-ha ha-ha)
Não se preocupe, seja feliz (olhe pra mim, eu sou feliz)

Não tem dinheiro, não tem estilo
Não tem uma garota pra te fazer sorrir
Mas não se preocupe, seja feliz
Porque quando você se preocupa, seu rosto fica triste
E isso deixa todo mundo mal
Então não se preocupe, seja feliz
Não se preocupe, seja feliz agora

Essa foi a música que eu escrevi
Espero que tenham aprendido nota por nota, como crianças boazinhas
Não se preocupe, seja feliz
Escute o que eu digo
Na sua vida, espere problemas
Quando você se preocupa, eles se multiplicam
Não se preocupe, seja feliz, seja feliz agora."


É pueril, dirão alguns que a letra induz ao conformismo, alienação ou mesmo lobotomia, mas a leitura que faço é no sentido de que o compositor utilizou o exagero para atingir o simples. Pessoas sérias demais são chatas, taí o Roberto Justus que não me deixa mentir.


Escrito por Rogério Veloso às 23h45
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03/05/2009

Indio Quer Programa

Deu no UOL Bichos

30/04/2009 - 15h22

Bo, cãozinho de Obama, é visto em site de fotos da Casa Branca
Da Redação

Eu já estava de saída pra comprar meu ingresso para o show do Latino, mas essa notícia me mostrou que existem coisas ainda mais interessantes. O Latino que espere.

Escrito por Rogério Veloso às 12h55
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